Volta às aulas: você se preocupa com o peso da mochila do seu filho?

Mochila
Foto por tirachard - br.freepik.com

O peso da mochila pode impactar
na saúde do seu filho.

Você já parou para avaliar o peso da mochila do seu filho? Não? Então deveria, pois o peso pode afetar a saúde das crianças.

A quantidade de material escolar pode ser um grande problema. E isso ocorre justamente numa fase em que o corpo da criança está se desenvolvendo do ponto de vista estrutural.

De acordo com especialistas, o peso da mochila deve ser, no máximo 10% a 15% do peso da criança. Então, se a criança pesa 30Kg, a mochila não deve ultrapassar de 3Kg a 3,5kg.

“Infelizmente, há muitos casos de crianças que carregam até 3 ou 4 vezes o indicado para o seu peso”, explica o ortopedista, Dr. Juliano Fratezi, especialista em coluna e dor.

Os cuidados começam com a escolha da mochila. É fato, os pais acabam cedendo à vontade dos filhos e comprando um produto com o personagem preferido dos pequenos. Até aí sem problema nenhum.

O problema é quando a mochila é linda, mas não é nada confortável. Aí entra o bom senso dos pais. “Nesta hora, os pais tem uma função importante de conversar com elas e explicar a importância de optar por uma mochila que irá proporcionar conforto e mais saúde a longo prazo. Parece que não, mas os problemas realmente podem surgir no futuro”, ressalta Eduardo Marcado, sócio fundador da ProdERGO.

As queixas mais comuns, quando falamos de peso da mochila, são de dores nas regiões lombar (lombalgia) e cervical (cervicalgia). E é possível observar o aumento dessas queixas em crianças e adolescentes– que anos atrás não tínhamos – em razão da má postura e dor nas costas. A longo prazo, o excesso de peso e a má postura podem levar, inclusive, à hérnia de disco.

O papel da escola

As escolas também estão se adaptando para diminuir o peso das mochilas. Um exemplo é o Colégio Bandeirantes, que desde 2014 adota material escolar digital.

De acordo com o Diretor de Tecnologia Educacional do colégio, Emerson Bento Pereira, com a implantação do tablet como material didático obrigatório aos alunos do 6º ano do fundamental, a escola naturalmente passou a usar apostilas e livros com recursos multimídia e interatividade. Além do uso de aplicativos que complementam o conteúdo pedagógico, facilitando ensino e aprendizagem.

Fora a questão do peso das mochilas, o material didático digital garante agilidade no compartilhamento de informações, maior interação com o conteúdo, facilitando anotações, pesquisas, etc,. Com isso a instituição percebeu o potencial do material digital até mesmo para manter o conteúdo atualizado de forma quase instantânea sem a necessidade de adquirir uma nova edição por exemplo. “Os nossos alunos são nativos digitais e se adaptaram de forma muito natural ao conteúdo digital, quase de intuitivamente. Obviamente houve uma redução de peso nas mochilas, proporcionando bem-estar físico para as crianças”, completa Pereira.

Outra dica importante e manter atividades físicas frequentes. O exercício físico é fundamental para o desenvolvimento das crianças. Algumas delas, além de carregar muito peso, são sedentárias e já têm outros vícios posturais associados ao uso frequente de celulares ou videogames.

“Observar a postura ao se sentar, ler e escrever são observações que os pais fazem e para as crianças parece ser bobeira. Mas estes vícios posturais podem agravar problemas no médio e longo prazo”, reforça o Dr. Marco Aurélio Silvério Neves, Ortopedista e diretor da Movité, clínica especializada em Medicina Esportiva.

Como escolher a mochila certa?

A vantagem de se carregar o material em mochilas nas costas é poder distribuir o peso de forma equilibrada, e para isso as mochilas reforçadas com alças acolchoadas costumam ser mais confortáveis.

As crianças, geralmente, seguem as tendências de moda e personagens em alta para a escolha das mochilas. 

Mas, independente disso, os pais devem se atentar e optar por mochilas com duas alças e, se possível, ainda, uma terceira alça que possa ser presa ao redor da cintura da criança, para auxiliar a estabilizar a mochila na coluna.

Os pais também devem observar como a bolsa fica posicionada nas costas da criança: ela deve estar entre a cervical e a lombar, permitindo que a criança se movimente normalmente, sem bater no bumbum da criança enquanto ela anda, por exemplo.

Outra boa opção é a mochila com rodinhas. Com elas, os pais devem se atentar se a criança não fica muito curvada ao puxá-la. O comprimento da alça deve ser suficiente para não “atropelar” a criança. Ela deve ficar com o braço esticado e a postura ereta.

Os pais devem ficar atentos reclamações de dores nas pernas, nos braços, mãos e ombros e nas costas. Nestes casos é preciso procurar um ortopedista, que poderá fazer um diagnóstico preciso.

Cuidados em sala de aula e em casa

E não é só isso, vários cuidados que devem ser tomados não só em sala de aula, mas também na hora de carregar os materiais e até mesmo na hora de estudar em casa.

Confira dicas dos especialistas:

  • Primeiramente, sempre observar o ajuste da mochila e evitar carregá-la em apenas uma alça.
  • Em casa, sempre oriente a criança a não permanecer muito tempo na mesma posição. Isso auxilia na redução do desconforto causado pela exposição excessiva às telas e pela posição ao estudar, por exemplo.
  • Em sala de aula observe se a cadeira e a mesa utilizadas para os estudos respeitam a ergonomia da criança e do adolescente. É importante que a cadeira seja firme o suficiente (nem muito dura, mas também não muito mole).
  • Os dois pés da criança precisam ficar apoiados no chão, com joelhos dobrados a 90°.
  • Observe se a mesa está numa altura correta. Se a criança estiver muito curvada, é melhor elevar a mesa.

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