Você já ouviu falar da síndrome do coração partido?

Síndrome do Coração Partido
Imagem de Public Affairs por Pixabay

A síndrome do coração partido é desencadeada
por eventos estressantes.

Você com certeza já ouviu falar que alguém ficou doente de amor. Mais do que uma expressão, o estresse emocional pode causar efeitos físicos e tem até um nome popular: síndrome do coração partido.

A síndrome de Takotsubo, que é conhecida como síndrome do coração partido ou cardiomiopatia por estresse, acontece quando os músculos do coração enfraquecem, causando dor no peito, falta de ar ou cansaço.

A doença é desencadeada por eventos estressantes e não por bloqueios na corrente sanguínea, mas se apresenta como se fosse ataque cardíaco e pode ser fatal em casos raros, mas ainda tem perfil desconhecido no país.

Atualmente, o único levantamento disponível no Brasil sobre a doença é um estudo regional com 169 pacientes internados com diagnóstico de Takotsubo ou que desenvolveram essa condição durante a internação, entre outubro de 2010 e o mesmo período de 2017, em 12 hospitais do estado do Rio de Janeiro, que será publicado no próximo mês nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC.

A análise trouxe que a média dos pacientes acometidos pela síndrome tinha 71 anos, era em sua maioria mulheres (90,5%), com prevalência de dor torácica (63,3%) e histórico de estresse emocional considerável, registrado aproximadamente em 40% dos casos.

E o número de casos no Brasil pode estar crescendo no período do isolamento social. “A pandemia por Covid-19 por si só gera grande estresse emocional, como acontece também em situação de guerra. A emergência em saúde devido ao novo coronavírus pode estar aumentando o número de infartos, de crises hipertensivas, de pessoas obesas, com ansiedade e depressão, em função de todo o contexto da pandemia, que causa falta de perspectivas e mudança de hábitos. Tudo isso leva a uma condição final de extremo estresse, que é gatilho para o desenvolvimento da síndrome de Takotsubo em indivíduos que têm predisposição genética”, explica o cardiologista Marcelo Westerlund Montera, coordenador do registro nacional da doença da Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da síndrome do coração partido considera os dados obtidos no exame físico e no levantamento da história do paciente, assim como o resultado de exames laboratoriais de sangue, uma vez que a presença de certas enzimas na corrente sanguínea pode sugerir doença cardíaca.

A segunda fase é feita a partir de exames não invasivos, como eletrocardiograma e ecocardiograma, raios-X de tórax, ressonância magnética e angiograma coronariano. Estes exames são importantes para fechar o diagnóstico.

Apesar de não existir tratamento específico para a síndrome, é possível reduzir o esforço do coração durante o processo de recuperação e evitar novas crises.

Já os remédios usados são praticamente os mesmos indicados nos casos de insuficiência cardíaca grave associada ao infarto do miocárdio. Técnicas de relaxamento e meditação, além de exercícios físicos, podem trazer alguns benefícios, já que se trata de cardiomiopatia induzida por estresse.

Mas no final das contas não existe nenhuma fórmula eficaz para prevenir a síndrome do coração partido. É fundamental, porém, identificar os agentes estressores que podem provocar danos no organismo.

Estudo inédito

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) está realizando um estudo inédito no país sobre a síndrome de Takotsubo, que vai criar um registro nacional sobre a doença.

O mapeamento visa conhecer o perfil epidemiológico da síndrome no país para melhorar o diagnóstico, bem como proporcionar tratamentos mais eficazes e políticas públicas de prevenção à doença.

“O mapeamento da SBC sobre a síndrome de Takotsubo vai trazer para nós cardiologistas uma visão do comportamento da doença no Brasil, suas manifestações, se ela segue o padrão mundial e sua evolução, como toda doença deve ter. Vai ser um registro nacional pujante para ter uma visão plena e oficial da síndrome, o que é fundamental para se ter bases para melhor entendimento, melhor diagnóstico e, por fim, melhor tratamento”, afirma Montera.

O estudo teve início em junho, e até o momento 32 centros que atendem pacientes com problemas cardíacos em todo o país estão cadastrados na plataforma de banco de dados organizado pela SBC, por meio do Departamento de Insuficiência Cardíaca e do Grupo de Estudos de Cardiomiopatias da entidade.

A estimativa é ter ao fim do registro os dados analisados de mais de 400 pacientes, o que representará um dos maiores arquivos mundiais sobre a síndrome feito por um único país.

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