Violência contra a mulher aumenta durante o isolamento social

Violência contra a mulher
Imagem de Tumisu por Pixabay

Ao mesmo tempo, várias ações e iniciativas visam apoiar no caso de violência contra a mulher.

Um relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, da ONU, mostrou que o lugar mais perigoso do mundo para uma mulher é a sua própria casa. Os números de violência contra a mulher já eram altos, e agora no período de pandemia por causa do coronavírus, os casos cresceram ainda mais.

Já um estudo da Famivita, constatou que 4% das brasileiras já sofreram violência doméstica nos últimos meses. Considerando 40 milhões de mulheres vivendo em união, são 1,6 milhões de casos só na pandemia.

Também aumentaram os casos de feminicídio no Brasil. O crescimento foi de 22,2%,entre março e abril deste ano, em 12 estados do país, em comparação com o mesmo período de 2019.

As informações são do relatório Violência Doméstica durante a Pandemia de Covid-19, que tem como referência os dados coletados nos órgãos de segurança dos estados brasileiros e foi produzido a pedido do Banco Mundial e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Os registros mostram também a queda na abertura de boletins de ocorrência, mostrando que, ao mesmo tempo, em que as mulheres estão mais vulneráveis durante o isolamento social, elas têm mais dificuldade para formalizar queixa contra os agressores.

Isso acontece porque as vítimas estão muito próximas dos agressores, que podem mais facilmente impedi-las de fazer uma denúncia na delegacia ou a outros locais que prestam socorro a vítimas, como centros de referência especializados, ou, inclusive, de acessar canais alternativos de denúncia, como telefone ou aplicativos.

Por essa razão, especialistas consideram que a estatística é muito diferente da realidade vivenciada pela população feminina quando o assunto é violência doméstica, que, em condições normais, já é marcada pela subnotificação.

Mas muitas entidades e empresas estão desenvolvendo ações para apoiar as mulheres em situação de violência doméstica. Conheça algumas iniciativas:

Central de Atendimento à Mulher em Situação de ViolênciaLigue 180

O Ligue 180 – é um serviço de utilidade pública gratuito e confidencial, que preserva o anonimato. A Central funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive finais de semana e feriados e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.

Atua como disque-denúncia, com capacidade de envio de denúncias para a Segurança Pública com cópia para o Ministério Público de cada estado. Para isso,  conta com o apoio financeiro do Programa ‘Mulher, Viver sem Violência’.

Magazine Luiza

O aplicativo do Magazine Luiza, chamado Magalu, ganhou uma nova funcionalidade permanente: um botão para denúncias de violência contra a mulher. O serviço será permanente e permitirá que qualquer pessoa ligue diretamente para o 180, número da Central de Atendimento à Mulher criada em 2005 pelo governo federal.

Campanha Sinal Vermelho

Idealizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a campanha teve início no fim de maio e tem como foco ajudar mulheres em situação de violência que, em tempos de isolamento, tem dificuldade em denunciar os agressores. 

A ação é simples: a mulher vítima de violência doméstica faz um “x” vermelho na palma da mão, com caneta ou batom, por exemplo. Ao chegar em uma das 10 mil farmácias e drogarias em todo o país cadastradas na campanha é possível mostra o sinal discretamente.

Ao identificarem o sinal os atendentes são orientados a ligar imediatamente para o 190 e reportar a situação. A lista completa de farmácias e drogarias credenciadas na campanha pode ser acessada neste link.

Ajuda pelo Whatsapp

O Instituto Avon, Uber e Wieden+Kennedy lançaram uma ação para auxiliar mulheres vítimas de violência doméstica durante o período da Covid-19: uma assistente virtual, por meio do Whatsapp, que oferece uma forma silenciosa para que as mulheres peçam ajuda e recebam a orientação necessária dentro de suas próprias casas.

A ideia é que o agressor pense que a vítima está conversando com alguém da sua rede de contatos.

Pelo WhatsApp (11) 94494-2415 a vítima responde algumas perguntas para identificar o grau de risco que corre e para que receba o suporte apropriado.

Caso a vítima precise buscar ajuda em um hospital, unidade de saúde, delegacia ou centro de atendimento que preste serviço e assistência social e psicológica e orientação jurídica às mulheres em situação de violência, ela receberá um código promocional para solicitar uma viagem de forma gratuita no aplicativo da Uber e se deslocar com independência.

Justiceiras

projeto, criado pela promotora de Justiça de São Paulo Gabriela Manssur, oferece apoio gratuito e online, por meio do WhatsApp (11 99639-1212), a qualquer mulher, em todo o país, que tenha sofrido violência doméstica ou tenha sido ameaçada pelo companheiro.

O movimento conta com 700 voluntárias da área jurídica, psicológica, socioassistencial, médica e para a rede de apoio.

Polícia Civil de MG

Com o apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, desenvolveu um app que traz conteúdos e orientações sobre violência contra a mulher, o MG Mulher.

Disponível para sistemas Android e iOS, oferece endereços e telefones mais próximos da localização da usuária e permite que ela crie uma rede colaborativa de contatos confiáveis para serem acionados de forma rápida, que serão alertados por SMS.

Tribunal de Justiça de São Paulo

Lançou o projeto Carta de Mulheres, que visa auxiliar mulheres com informações. Basta acessar o formulário online e uma equipe especializada, formada por profissionais que trabalha na Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário, dará orientações. O serviço é gratuito e oferecido sob sigilo para pessoas em todo o estado de São Paulo.

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