Uso excessivo de telas aumenta o risco de estrabismo em crianças e jovens

Crianças e telas
Crianças e adolescentes ficam muito tempo com telas. Imagem de Andi Graf por Pixabay

O uso de telas é um hábito que não é nem de longe saudável.

Não adianta, as crianças e adolescentes amam telas: celular, computador, televisão… E atire a primeira pedra quem nunca deixou eles um tempo com estes aparelhos para poder fazer afazeres domésticos ou trabalho no esquema home office.

Ideal não é, mas muitas vezes os pais, as vezes, não têm alternativa, ainda mais neste período de quarentena, em que os filhos estão em casa.

Mas o hábito não é nem de longe saudável. Um estudo recente estudo, publicado na revista “BioMed Central (BMC) Ophthalmology”, comprovou que crianças que usam smartphones por mais de quatro horas diariamente por, no mínimo, quatro meses, apresentaram maior risco de estrabismo.

O risco de estrabismo convergente – o desvio mais comum – pode acometer também os adolescentes. Casos foram relatados em diferentes artigos no “Journal of Pediatric Ophthalmology & Strabismus”. Uma dessas investigações foi realizada com pacientes na Itália, durante o distanciamento social devido à Covid-19.

“Nos últimos meses, temos diagnosticado no consultório um maior número de casos de estrabismo. Esse fenômeno também tem acontecido em outros países, como o Japão. Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, melhores serão os resultados. E isso vale, certamente, para qualquer doença dos olhos“, diz a oftalmopediatra Patrícia Diniz, oftalmologista do HCLOE, empresa do grupo Opty em São Paulo.

Mas, o que é o estrabismo?

O estrabismo é um desvio nos olhos que apresenta diferentes tipos e causas, uma delas o uso excessivo de celulares.

Com a falha, os olhos não focam a imagem no mesmo sentido, ao mesmo tempo, o que pode levar à diminuição da visão, perda da percepção de profundidade e visão dupla.

A doença pode ainda estar relacionada a algum dano nos músculos que controlam o movimento ocular, lesão no nervo óptico, entre outras. É normal algum desvio dos olhos dos bebês até por volta dos seis meses de idade. Porém, se permanece depois dessa fase, deve-se consultar um oftalmopediatra.

O tratamento depende de cada caso. Pode incluir o uso de óculos especiais, tampão, exercícios para os olhos ou cirurgia.

Controle de telas

As crianças e os adolescentes estão assistindo às aulas em computadores, tablets e outros dispositivos eletrônicos, passando assim horas de olhos colados na frente das telas.

Então fica difícil deixar os filhos longe das telas, certo? Mas é preciso tentar controlar esse isso. Afinal tanto esforço pode afetar a saúde ocular, com prejuízo no aprendizado.

Agora, se o aluno já sofre de algum problema de vista, terá desinteresse, falta de concentração e maior dificuldade para compreender o conteúdo.

Este tipo de comportamento pode ser facilmente confundido com preguiça de estudar, mas pode ser resultado de alguma deficiência visual. Se você identifica estes sinais no seu filho, leve o mais rápido possível ao oftalmopediatra é essencial para detectar e tratar qualquer doença dos olhos.

A atenção com a saúde ocular deve começar ainda no pré-natal, quando é possível detectar e controlar problemas oftalmológicos, como, por exemplo, toxoplasmose, sífilis e herpes, que colocam em perigo a visão do feto.

“Os cuidados com os olhos começam ainda durante a gravidez, mas devem seguir com o acompanhamento regular de um oftalmologista durante toda a vida”, completa o especialista.

“Menos telas, mais saúde”

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta para uma série de problemas provocados pela chamada intoxicação digital, que podem ir de transtornos de saúde mental (irritabilidade, ansiedade e depressão) a questões físicas (problemas posturais e musculares devido ao sedentarismo, de visão e de audição) e sociais como cyberbullying e exposição à sexualidade precoce e a abusos.

Sob o lema “Menos telas, mais saúde”, criou um documento com recomendações sobre a exposição de crianças e adolescentes às telas.

Confira as orientações sobre o tempo indicado do uso de telas por idade: 

– Menores de 2 anos – evitar exposição;
– Entre 2 e 5 anos – 1 hora/dia, sempre com supervisão de responsáveis;
– Entre 6 e 10 anos – 1 a 2 horas/dia, com supervisão;
– Entre 11 e 18 anos – de 2 a 3 horas/dia, preferencialmente em áreas comuns da casa, em vez de isolados no quarto;
– Para todas as idades, a recomendação é evitar telas durante as refeições e 1 hora antes de dormir.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) /2020

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