Transtorno do Espectro Autista: pais devem ficar atentos aos sinais

Autismo
Entenda os sinais do TEA

O Transtorno do Espectro Autista começa na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta.

Por muito tempo a falta de conhecimento foi uma grande barreira para o diagnóstico no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA).  

O Transtorno do Espectro Autista ou autismo é definido como uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva.

Felizmente, hoje, com o avanço da medicina, é possível obter bons resultados no tratamento. A intervenção precoce pode garantir qualidade de vida e até mesmo mudar o futuro de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. 

O TEA começa na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta. Uma estimativa da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) mostra que, em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tem Transtorno do Espectro Autista.

De acordo com a neuropediatra Alinne Rodrigues Belo, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, esse é um transtorno do neurodesenvolvimento e que apesar de cada criança ser diferente da outra, os pais devem estar atentos a alguns sinais que são semelhantes.

“As crianças com TEA apresentam dificuldades ou limitações na comunicação e na interação social, atraso na linguagem verbal e não verbal e dificuldade de socializar com crianças da mesma idade e até mesmo com familiares”, revela a especialista.

A maioria dos sintomas do transtorno do espectro autista costuma aparecer quando a criança tem entre 1 e 1 ano e meio.

Se a criança tem interesses restritos e repetitivos, com comportamentos estereotipados e rígidos, além de dificuldades de tolerar mudanças na rotina, os pais devem acender o sinal de alerta.

“É importante estar atento ainda se a criança perder alguma habilidade que já tinha adquirido, como balbuciar e apontar. Toda regressão é um sinal de alerta para transtornos do desenvolvimento neurológico”, salienta Alinne.

Outras características que devem ser observadas são crianças que:

  • não apresentam sorriso social;
  • que não atendem chamado;
  • que não reagem a ruídos e sons do ambiente ou se tem reação exacerbada diante de um som específico;
  • com dificuldade de manter contato visual, que olha nos olhos de maneira rápida, o olhar não é sustentado;
  • que possuem mais interesse em objetos do que no rosto das pessoas;
  • que se interessam muito por objetos que possuem movimentos repetitivos;
  • que vocalizam pouco;
  • com dificuldade de tolerar o toque;
  • com distúrbios do sono;
  • irritabilidade elevada.

O autismo pode ser dividido como leve, moderado e grave. Ainda dentro de cada grupo existem outras divisões, como um grau bem leve ou um leve mais para moderado.

“É daí que vem o nome espectro. Uma maneira de enxergar como uma régua, em que há vários pontos, e não só 1cm, 2cm, e assim por diante”, afirma Roberta Caramico Pinto, neuropediatra e médica convidada da indústria farmacêutica Prati-Donaduzzi para falar sobre o transtorno.

Diagnóstico

Como os pais têm dificuldade em entender os sintomas, na maioria das vezes o diagnóstico vem quando a criança entra na escola e passa a ter contato direto com coleguinhas. Neste ponto os primeiros sinais aparecem com problemas na comunicação, dificuldades em se sociabilizar ou alterações no comportamento.

Para se chegar a um diagnóstico de TEA são usados critérios clínicos determinados por especialistas e descritos no Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Não há um marcador biológico que possa acusar o TEA, ou seja, não existem exames laboratoriais que identificam o transtorno. Por isso uma avaliação multidisciplinar realizada por profissionais com experiência na área é a forma mais precisa de chegar ao diagnóstico.

“Não existe idade mínima para se fazer o diagnóstico de TEA. Podemos observar sinais de alarme antes mesmo de a criança completar o primeiro ano de vida. Estudos mostram que é possível realizar o diagnóstico de TEA de forma precisa em crianças com menos de dois anos de idade”, afirma a neurologista Flora Brasil Orlandi, também convidada pela Prati-Donaduzzi.

O autismo não tem cura, mas é reabilitável e seu tratamento é por tempo indeterminado. “Muitas vezes é para a vida toda. O objetivo é fazer com que a criança tenha autonomia, independência, melhora da socialização e desenvolvimento adequado da linguagem. Em muitos casos o tratamento é modificado com o tempo, o número de sessões pode ir variando com cada profissional envolvido”, detalha Alinne.

Tratamento

O tratamento do TEA se baseia em terapias de alta intensidade com equipe multiprofissional especializada e qualificada, especialmente nas técnicas baseadas na Análise de Comportamento Aplicada (ABA).

Os pacientes que têm o transtorno tendem a necessitar também de terapia com o apoio de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, dentre outros profissionais, além do uso de fármacos.

“É possível utilizar medicamentos para auxiliar no manejo de sinais e sintomas associados ao TEA, como agitação, agressividade, impulsividade, muitas vezes ajudando no aproveitamento dos pacientes na terapia”, conclui Orlandi.

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