Tempo seco favorece o desenvolvimento de doenças respiratórias

Doenças Respiratórias
Foto: Luisella Planeta Leoni por Pixabay

As crises de doenças respiratórias aumentam em ambientes que não têm janelas ou então não podem ser abertas e não há outra opção de ventilação a não ser a artificial.

Durante o inverno, os dias são mais frios, secos e há um maior acúmulo de poeira e poluição, fazendo com que as pessoas sofram mais com as crises doenças respiratórias, como asma, rinite, sinusite e rinossinusite.

As crises podem se agravar quando a pessoa está em ambientes que não têm janelas ou então não podem ser abertas e não há outra opção de ventilação a não ser a artificial. Essa ventilação pode trazer problemas, como gripes e resfriados e piorar quadros alérgicos de asma e rinite.

“Aparelhos de ar condicionado e aquecedores diminuem a umidade do ar local, deixando-o mais seco. E isso pode interferir na função de filtro que o nariz exerce. O nariz tem a finalidade de filtrar, aquecer e umidificar todo o ar que entra por ali até chegar aos pulmões”, explica a otorrinolaringologista Milena Costa.

Alguns tipos de vírus têm ainda a capacidade maior de sobreviver nas superfícies – o que inclui o ar condicionado. Portanto, é importante trocar o filtro constantemente, também por conta de poluentes, fungos, ácaros e poeira doméstica, que estão associados com a piora da asma e rinite alérgicas.

Vale ainda a dica de umidificar o ambiente. Mas o processo precisa ser feito do jeito correto: locais muito úmidos podem contribuir para a proliferação de fungos e bactérias. Por isso a sugestão é, sempre que possível, deixar pelo menos as janelas semiabertas.

Para evitar as doenças respiratórias hábitos simples podem ser adotados, como sempre manter a higiene das mãos e evitar o contato delas com os olhos, nariz e boca. Outros bons aliados são o soro fisiológico nasal para limpar diariamente o nariz e beber muita água, favorecendo ainda mais o combate desses problemas.

Outra dica é evitar lugares fechados ou com muitas pessoas, principalmente para aqueles que necessitam realizar atividades fora de casa, ainda mais em um período de isolamento social.

Entenda um pouco cada doença.

Asma

Em uma crise de asma a mucosa respiratória é agredida por agentes externos, envia um sinal de alerta para a medula óssea, que por sua vez, produz células especiais de defesa.

“A asma é resultado de interações entre fatores ambientais e genéticos, pode se manifestar em qualquer fase da vida e também fora do período sazonal. A boa notícia é que, com tratamento adequado, as crises podem ser amenizadas e os sintomas controlados durante todo o ano”, destaca a Dra. Ana Paula Cruz Gonçales, Pneumologista Pediátrica do Hospital Sepaco.

Este sinal é recebido como um ‘alerta de ataque’ ao aparelho respiratório que ‘contra ataca’, mandando células especiais para provocar um processo inflamatório nas vias aéreas (brônquios) para expulsar estes ‘invasores’.

Os asmáticos descrevem a doença como um ‘sufocamento’, com muita tosse, falta de ar, cansaço, sensação de aperto e chiados no peito, isso devido à obstrução variável do fluxo aéreo causada pela inflamação das vias respiratórias.

A asma não tem cura, mas pode ser controlada, as crises evitadas ou até amenizadas, com controle ambiental associado à medicações especificas para cada paciente e de acordo com a gravidade da sua doença.

Desta forma, é necessário estar atento, inclusive a outros alérgenos, tais como cigarros, ácaros, mofos, poeiras, pelos de animais, produtos com cheiros fortes (perfumes, incensos, tintas, vernizes etc).

Rinite

A rinite é uma de inflamação e/ou hipereação da mucosa de revestimento nasal. Pode se manifestar de duas formas: alérgica (que é a mais comum) ou infecciosa.

Entre os sintomas estão obstrução nasal, rinorreia (presença de secreção e corrimento no nariz), espirros, prurido nasal e hiposmia (diminuição do olfato).

“Em casos alérgicos, recomenda-se deixar os cômodos da casa e a roupa de cama bem limpos para evitar acúmulo de poeira, e deixar entrar sol o máximo possível nos cômodos da casa. Já para as rinites infecciosas, causadas por vírus e, menos frequentemente, por bactérias, é importante lavar bem as mãos, principalmente quando estiver em lugares muito fechados e cheios de pessoas. O uso do álcool em gel também pode ajudar”, explica a Dra. Cristiane Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista.

Sinusite

A sinusite pode ser aguda ou crônica. Para definir qual o tipo da enfermidade, um período de 12 semanas é essencial para a avaliação, uma vez que, caso o prazo de cura se estenda após o tratamento, já pode ser considerada como crônica.

Existe ainda um subtipo da doença chamado de Polipose Nasossinusal, na qual a mucosa nasal e dos seios da face têm predisposição para formar pólipos, que obstruem os orifícios e favorecem o acúmulo de secreções e infecções bacterianas.

Rinossinusite

Todo o processo inflamatório da mucosa da cavidade nasal e dos seios paranasais é considerado rinossinusite.

Este quadro representa uma reação a algum agente físico, químico ou biológico, além de ser possivelmente causado também por mecanismos alérgicos. Utilizado unanimemente pelos especialistas, o termo serve para diferenciar uma rinite normal e outra que acaba se estendendo pelos seios da face, característica principal da rinossinusite.

Coronavírus

Assim como as outras infecções ou doenças respiratórias, o coronavírus tem como uma de suas principais características o acometimento e comprometimento do sistema respiratório.

Gripes e resfriados são adquiridos por gotículas respiratórias, assim como o COVID. Essas gotículas ficam suspensas e o ar condicionado e os aquecedores acabam recirculando esse ar contaminado por vírus e bactérias.

Pesquisadores mostraram, em artigo publicado no periódico Emerging Infectious Diseases, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês) dos Estados Unidos, que em um restaurante na China houve a contaminação de três famílias pelo coronavírus devido ao fluxo do ar condicionado do local. “O ar condicionado gerou um fluxo laminar, e nas três mesas que receberam esse fluxo houve a contaminação dos pacientes,” explica a Dra. Milena.

O estudo reforça a ideia da recirculação do ar em ambientes fechados e a proliferação de microrganismos até locais que teoricamente não estariam infectados. E por conta disso a Dra. Milena frisa: “As pessoas com sintomas de infecções de via aérea não devem ficar nesses ambientes fechados porque podem transmitir o vírus. É importante o uso de máscaras, principalmente em locais fechados, e o distanciamento também pode ajudar.” O que vai de encontro com as medidas indicadas para o combate ao COVID-19 e o que possivelmente se tornarão habitual no pós-pandemia.

Também é importante ressaltar que a rinite e sinusite possuem sintomas muito parecidos com o coronavírus e, por conta disso, é importante que sejam analisados por um especialista o mais rápido possível, para obter tratamento adequado, especialmente se apresentar febre alta e falta ou ausência de olfato. Como a COVID-19 também é uma doença respiratória, procurar um médico é imprescindível para um diagnóstico preciso, caso a pessoa sinta qualquer dificuldade para respirar.

Os portadores de rinite, por exemplo, não estão dentro do grupo de risco frente ao novo Coronavírus. “Entretanto, o risco aumenta se o problema não estiver controlado”, finaliza a Dra. Cristiane.

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