Saiba como identificar e prevenir problemas auditivos

Audição
Problemas auditivos atingem crianças e adultos. Foto ilustrativa

Cerca de 466 milhões de pessoas, entre elas 34 milhões de crianças, sofrem de problemas auditivos.

Você escuta perfeitamente? Tem certeza disso? Escutar os sons nem sempre significa ouvir corretamente. Você pode ter problemas auditivos e nem saber.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 466 milhões de pessoas, entre elas 34 milhões de crianças, sofrem de problemas relacionados à audição.

Até 2050, este total pode atingir 900 milhões. Crianças prematuras, grupos com exposição a ruídos intensos ou ruídos provenientes de atividades de lazer, pessoas com casos na família e idosos estão entre os grupos de maior risco para problemas auditivos.

As causas de perda auditiva podem variar desde doenças genéticas, infecções virais/ bacterianas, traumas, uso de alguns medicamentos, entre outras.

Sintomas como cansaço, fadiga, dores de cabeça, tensão muscular também podem estar relacionados a algum grau de perda auditiva.

“O ouvido médio contém três pequenos ossos que recebem as vibrações do tímpano, envia-as para a orelha interna que, por meio do nervo auditivo, leva a informação sonora para o cérebro. É um sistema bastante sensível. Qualquer alteração nesses ossos ou mesmo nos pequenos vasos dessa área, causada por fatores externos ou de saúde, pode afetar a saúde auditiva e danificar permanentemente o órgão”, explica a fonoaudióloga da Audium Brasil e especialista em Audiologia Clínica, Leda Donadel.

Mas como saber se tenho problema auditivo?

É preciso observar ações cotidianas, que podem passar desapercebidas por nós, para identificar possíveis problemas auditivos em crianças e adultos.

Nas crianças observe se há o atraso no desenvolvimento da linguagem oral, na aquisição da fala, ou ainda desatenção constante. Se seu filho tem o hábito de pedir frequentemente para você repetir o que fala ou ouve televisão em volume muito alto são sinais importantes que podem indicar deficiência auditiva.

Os mesmos sintomas valem para os adultos e muitas vezes os familiares identificam o problema antes do próprio paciente. É muito comum a pessoa dizer que ouve a fala mas não entende. A inteligibilidade afetada é um sinal importante de déficit auditivo.

Para identificar o problema, é possível ainda realizar testes caseiros.

Veja se as crianças reagem a emissão de sons de forma lúdica, em diferentes intensidades, sem que exista a possibilidade do campo visão. “Bebês podem responder a um estímulo parando de sugar a chupeta, ou quando a criança já é um pouco maior, irá procurar com o movimento ocular a presença do estímulo sonoro”, afirma Leda.

No caso dos adultos, pode-se ir regulando o volume da TV para ver em qual intensidade ele se sente confortável em ouvir.

Fui diagnosticado com problemas auditivos, o que faço?

Quando o diagnóstico de desgaste do sistema auditivo ou deficiência é confirmado, pode ser indicado o uso do aparelho auditivo.

“O Aparelho de Amplificação Sonora Individual (ASSI) é um dispositivo eletrônico com a função de converter as ondas sonoras em sinais elétricos e os manda diretamente a um amplificador, que eleva a potência dos sinais e os envia para o ouvido através de um receptor. Ele é recomendado somente após o diagnóstico médico e a validação com um fonoaudiólogo, que vai acompanhar o paciente no processo de reabilitação”, explica Leda.

Não existe idade mínima para o uso. Quanto menor a idade de adaptação do aparelho, melhor será o desenvolvimento auditivo, por isto a importância do diagnóstico precoce. Para as crianças, preconiza-se a protetização antes dos 6 meses de idade, para evitar atrasos no desenvolvimento. Para os adultos, tão logo se identifique qualquer sinal de deficiência auditiva.

“A espera por tempo excessivo pode agravar o dano do sistema auditivo e o uso do aparelho pode não conseguir oferecer o melhor resultado. Vale informar, ainda, que nem toda a perda auditiva irá se beneficiar com o aparelho, por isso é importante a consulta com um otorrinolaringologista”, pontua Leda.

Problemas auditivos podem ser evitados desde bebê

De acordo com a Academia Americana de Pediatria a cada mil recém-nascidos, três são diagnosticados com algum tipo de problema na saúde auditiva, principalmente a surdez.

E é nos primeiros anos de vida, quando, ocorre o desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem, que é preciso ter atenção extra para observar os sintomas de possíveis problemas auditivos.

Por isso o Teste da Orelhinha, logo nos primeiros dias de vida do bebê, é essencial. Indolor e sem contraindicações, o exame nos bebês é obrigatório e gratuito.

“No teste, o fonoaudiólogo coloca um aparelho de Emissões Otoacústicas Evocadas, que produz estímulos sonoros leves e mede o retorno das estruturas do ouvido interno. O diagnóstico precoce é de extrema importância, pois a criança com deficiência auditiva que recebe intervenção adequada até seis meses de idade, pode desenvolver a linguagem muito próxima a de uma criança ouvinte”, explica a médica otorrinolaringologista Milena Costa.

Acompanhamento constante

O acompanhamento dos possíveis sinais problemas auditivos deve ser mantido até mesmo na idade escolar, durante e após a alfabetização.

Isso porque a maioria das crianças não tem surdez profunda, e, sim, graus variáveis de perda auditiva que interferem no aprendizado.

Sabe aquele aluno desatento, que não progride na escola? Ele pode não estar escutando bem as explicações do professor. Ou até pode ouvir, mas ter dificuldade em processar a informação auditiva.

“Os pais devem sempre estar alertas à saúde auditiva na infância, pois mesmo para as crianças sem indicação de surdez, a intervenção rápida e prevenção evita riscos e problemas futuros”, finaliza Milena.

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