Retorno às aulas pode desencadear a Síndrome da Cabana, entenda

Estudante de máscara na escola
A Síndrome de Cabana pode impactar os alunos no retorno às aulas.

A Síndrome da Cabana pode começar com uma ansiedade excessiva gerada pela necessidade de sair de casa.

Com o retorno iminente das aulas, como está a saúde mental dos seus filhos? É preciso observar de perto os pequenos, pois o impacto da volta às aulas após este período pode aumentar a ansiedade, causando inclusive a chamada “Síndrome da Cabana”.

Caracterizada pelo medo na hora de começar a sair de casa, a Síndrome da Cabana pode começar com uma ansiedade excessiva gerada pela necessidade de sair do ambiente doméstico para fazer tarefas diárias e, principalmente, para se relacionar com outras pessoas fora do ambiente familiar.

A psicóloga e neuropsicóloga Júlia Penna de Siqueira, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, observa que os estudantes estão ansiosos neste momento.

“O retorno às aulas presenciais pode trazer ansiedade tanto para o estudante que está doido para voltar para a escola quanto para o que não quer, depois de tanto tempo em que não tiveram esta experiência”, destaca Júlia.

Para este momento o apoio dos pais é fundamental. É importante que conversem com os filhos antes da volta às aulas, perguntem como estão se sentindo, sobre o que está gerando aquele sentimento, o que podem fazer para ajudar.

A dica para os filhos que não querem voltar para o ambiente escolar é lembrá-los sobre as coisas que ele gostava da escola.

“Alguns podem não estar tão desejosos por causa das vantagens que tiveram durante a pandemia, de às vezes não terem tido que acordar cedo todos os dias, não ter precisado se deslocar pra escola, ter tido mais tempo para atividades de lazer ou menos aulas semanais. Outros podem não estar querendo voltar às aulas presenciais por terem enfrentado dificuldades e distúrbios emocionais durante a pandemia, como transtornos relacionados à ansiedade, depressão, luto por uma pessoa querida, sobrecarga emocional, conflitos e problemas familiares e financeiros”, aponta Júlia.

Se o incômodo com o retorno persistir é importante buscar ajuda especializada, com um psicólogo ou psiquiatra. Esse medo pode gerar sintomas importantes de ansiedade e estresse, que devem ser tratados para não prejudicar a vida acadêmica e social da pessoa, no caso, dos estudantes.

Também é muito importante orientar seu filho sobre os cuidados necessários para o retorno às aulas, ou seja, o contato que a maioria gosta, principalmente com abraços, não poderá ocorrer.

“Com certeza será difícil para os alunos se conterem e mudarem seus hábitos em relação à forma de se relacionar com os colegas. É importante os pais conversarem sobre isso com os filhos antes da volta às aulas, para prepará-los e orientá-los sobre medidas para a proteção da saúde da família e falarem sobre como eles poderiam demonstrar afeto aos colegas sem se arriscarem. Por exemplo, dando um ‘soquinho’ na mão do colega e depois passar álcool em gel”, salienta.

Como está o retorno às aulas no país

Depois de mais de nove meses sem aulas, os estados brasileiros se organizam para o início do ano letivo de 2021.

A tendência é operar com revezamento no número de alunos presenciais, e esquemas híbridos (alterando ensino à distância e aulas in loco).

O governo de São Paulo adiou, por conta do retorno da cidade à fase vermelha, a retomada das aulas presenciais na rede estadual para o dia 8 de fevereiro. 

Na rede estadual, a volta às aulas no Rio de Janeiro está programada para acontecer no mês de março, mas sem data definida.

Estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Ceará devem iniciar as aulas também em fevereiro, com esquemas que podem variar entre o híbrido e remoto.

Estados como Amapá, Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pará, Rondônia e Roraima ainda não têm uma data exata para início das aulas. 

No restante do país, a maioria dos estados pretende, de fato, iniciar o retorno entre os meses de janeiro (Goiás e Piauí) e março (Distrito Federal), mas isso não significa uma volta ao ensino presencial.

As prefeituras têm liberdade para definir o retorno às aulas em suas cidades.

Mais informações referentes aos formatos das aulas e datas devem ser divulgadas nas próximas semanas.

Em todas as regiões a volta às aulas irá obedecer a todos os critérios de segurança do Centro de Contingência do Coronavírus. 

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