Pandemia pode impactar taxa de natalidade mundial

Estudo aponta que o número de nascidos diminuiu para níveis recordes em 2020, já que os planos dos casais em terem filhos foram adiados. Imagem: Rawpixel

Estudo aponta que o número de nascidos diminuiu para níveis recordes em 2020, já que os planos dos casais em terem filhos foram adiados.

Além da pandemia da Covid-19 ter causado milhões de mortes prematuras, ainda impactou na taxa de natalidade mundial.

Em países de alta renda, por exemplo, o número de nascidos diminuiu para níveis recordes em 2020, já que muitos casais adiaram os planos de engravidar.

Com a maternidade adiada, a pandemia pode ter efeitos duradouros sobre as mudanças demográficas, contribuindo ainda mais para o envelhecimento das sociedades.

Quem aponta essa análise é Michaela Grimm, economista sênior da seguradora de crédito Euler Hermes.

De acordo com a profissional, apenas na União Europeia, o número de recém-nascidos diminuiu cerca de -3%, passando para 4,1 milhões em 2020, visto que a maioria dos 27 países membros relatou uma diminuição do número de nascidos.

Já na França, o número de nascidos caiu para menos de 700 mil pela primeira vez desde 1945, e os EUA registraram apenas 3,6 milhões de recém-nascidos em 2020, o menor número desde 1979.

“Esta evolução corresponde à constatação de que em tempos de crise econômica, aumento das taxas de desemprego e incertezas, os planos de fecundidade são adiados. Os programas de apoio dos governos para amortecer parte do impacto financeiro da pandemia Covid-19 poderiam apenas amenizar o aspecto econômico”, acredita Michaela.

Planos adiados

A economista afirma que os bloqueios que pararam a vida social também fizeram com que muitos casais adiassem seus casamentos planejados.

Esses mesmos bloqueios ainda restringiram o acesso a serviços médicos no universo da gravidez, incluindo tecnologias de reprodução assistida.

Outro fator que fez os potenciais pais repensarem a decisão imediata é o maior risco de mulheres grávidas precisarem de terapia intensiva, cuidados ou ventilação invasiva em caso de infecção por Covid-19.

Essas questões deixaram muitos casais com uma sensação de incerteza que os impedia de começar uma família ou ter outro filho.

Expectativas

“Para todos aqueles que esperavam por um baby boom pós-crise para compensar as quedas em 2020, a questão crucial é se os planos para ter filhos foram apenas adiados ou se eles serão abandonados”, pondera a profissional.

De acordo com Michaela, nesse sentido, o desenvolvimento econômico e especialmente a diminuição do desemprego entre os grupos de idade mais jovens desempenham um papel importante, uma vez que uma relação estável e um rendimento estável são fatores cruciais na decisão de se tornarem pais.

“No entanto, a atual recuperação econômica não se refletirá nas taxas de natalidade nos primeiros nove meses”.

Taxa de natalidade mundial

Os últimos dados disponíveis analisados pela Euler Hermes mostram um quadro misto da evolução do número de nascimentos nos primeiros meses de 2021. 

Enquanto a Alemanha relatou um número geral ligeiramente maior de nascimentos no primeiro trimestre de 2021 em comparação com o mesmo período do ano anterior, em Portugal o número de recém-nascidos continuou a diminuir.

Na maioria dos outros países europeus, os números de nascimento mostram alguns sinais promissores de estabilização.

Queda do número de mulheres em idade fértil

O documento explica que o número de nascimentos também depende do número de mães em potencial.

Na Europa e no Leste Asiático, o número de mulheres em idade fértil já começou a diminuir, consequência de menores taxas de natalidade desde a década de 1970.

Na América Latina, o pico está previsto para 2030, mas no Brasil, maior economia da região, os números já devem cair a partir de 2025.

Já na América do Norte, espera-se que o número de mulheres em idade fértil aumente ainda mais, embora com taxas de crescimento mais baixas do que no passado.

Pais de primeira viagem

Outro fator decisivo é a idade média da mãe ao primeiro nascimento.

Em 2019, a média de idade na União Europeia, por exemplo, era de 29,4 anos, variando de 26,3 anos na Bulgária a 31,3 na Itália. Já, nos EUA, aumentou para 27 anos (veja quadro abaixo).

Idade média das mulheres ao primeiro nascimento 2019, em anos. Fontes: Eurostat, Centros de Controle e Prevenção de Doenças, Allianz Research.

A economista afirma ainda que “quanto mais velhas as mães estão no nascimento do primeiro filho, maior é o risco de que o desejo por outro filho não seja realizado ou seja abandonado, pois os riscos para a saúde tanto da mãe quanto do filho aumentam com a idade”.

“Por isso, a decisão de adiar a gravidez ou ter menos filhos em decorrência da pandemia pode ter efeitos duradouros nas mudanças demográficas, contribuindo ainda mais para o envelhecimento das sociedades”, finaliza.

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