Mortes de puérperas e gestantes vítimas de Covid-19 dobra no Brasil

Gestante internada
Nova variante do coronavírus tem maior impacto em puérperas e gestantes. Foto ilustrativa.

Parte das mortes de puérperas e gestantes aconteceu por falta de atendimento em UTIs.

Um dado divulgado nesta sexta-feira, 16, pelo Ministério da Saúde – MS, liga o alerta vermelho para as mulheres que estão tentando engravidar: o número de puérperas e gestantes mortas vítimas de Covid-19 dobrou em 2021.

Em média, foram 108 mortes mensais em 2021, contra 54 no ano passado de puérperas e gestantes. Desde o início da pandemia, foram 979 mortes de grávidas e mulheres que acabaram de dar à luz.

De acordo com o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Medeiros, apesar da falta de estudos, na avaliação dos especialistas a nova variante do coronavírus é mais agressiva nas gestantes.

“Antes estava mais ligada ao final da gravidez e puerpério e hoje já vemos evolução mais grave no 2º trimestre e quiçá, por vezes, até no 1º trimestre”, explica Medeiros.

Grande parte das mortes maternas pela Covid-19 pode estar relacionadas ainda a falhas na assistência a grávidas e mulheres que acabaram de dar à luz.

Dados levantados pelo jornal Estadão mostraram que um quarto das gestantes e puérperas morreram este ano por falta de atendimento em UTI. Ainda segundo o Estadão, entre as mortes maternas estão mulheres testadas com exames de baixa qualidade e que demoraram a ter atenção médica para Covid-19. Algumas deram à luz intubadas e outras nem conheceram os bebês.

Já conforme o Sivep-Gripe, banco de dados do ministério, a maior parte dos óbitos ocorreu no último trimestre de gestação.

Adiar a gestação

Por causa destes novos dados, o Ministério da Saúde – MS, recomenda que as mulheres mais jovens esperem para tentarem uma gravidez.

“Neste momento do pico epidêmico, pela situação que está acontecendo em alguns locais, deve ser avaliado – como aconteceu com o zika vírus em 2016 -, caso possível, postergar um pouco a gravidez para um melhor momento, com uma gravidez mais tranquila”, disse Medeiros, que atribuiu a piora à nova variante do vírus. “É óbvio que a gente não pode falar isso para alguém que tem 42 ou 43 anos, mas para uma mulher jovem, que pode escolher seu momento de engravidar, o mais indicado agora é esperar um pouquinho até a situação ficar um pouco mais calma”, completou.

Para quem está em processo de inseminação, por exemplo, ou está grávida, a recomendação que reforce o cuidado no pré-natal.

Vacinação

O Ministério da Saúde publicou uma portaria, no dia 15 de março, recomendando que grávidas com comorbidades como diabetes, hipertensão e obesidade recebam a vacina contra a Covid-19.

Apesar das recomendações permitirem a vacinação de grávidas, lactantes e puérperas com comorbidades, a decisão deve ser tomada por elas após avaliação de risco e benefícios com auxílio médico.

Gestantes sem doenças prévias podem tomar a vacina se estiverem em outros grupos prioritários do Plano Nacional de Vacinação.

Investimento

O governo destinou R$ 247 milhões a ações de apoio para grávidas e puérperas. A ideia é reforçar redes de atenção, dar condições para que as gestantes façam teste no fim da gravidez e, se preciso, possam fazer isolamento e evitar a infecção.

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