De acordo com especialistas, é possível evitar a mortalidade materna com ações relativamente simples.

De acordo com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, em 2015, o Brasil
registrou 1.738 casos de mortalidade materna. Estas mortes são causadas por problemas relacionados à gravidez ou ao parto.

Em 2016, foram registrados 1.463 casos, uma queda de 16% em relação ao ano
anterior. Apesar da queda, hoje se sabe que a mortandade materna não para de crescer. “Sabemos que em 2017 e 2018 houve um aumento no número de mortes maternas no Brasil. Isso principalmente na região norte do país”, explica a Dra. Alyk Vargas Alcobia, Membro da Doctoralia. Não há dados oficiais atualizados.

Mas porque tanta mortalidade materna?

Na verdade, os fatores da mortalidade são muitos. Segundo especialistas a grande parte dos problemas poderiam ser evitados por uma ação relativamente simples: o pré-natal.

Por isso o Ministério da Saúde tem implementado políticas para fortalecer a humanização do atendimento das gestantes. Estão incluídas ainda nas políticas de humanização a melhoria da atenção pré-natal, nascimento e pós-parto.

“O melhor cuidado na prevenção das doenças, complicações e mortalidade materna é a realização do pré-natal, com consultas mensais e exames de rotina. Estima-se que 90% das mortes maternas são evitáveis com controles e cuidados”, afirma a Dra. Alessandra Fernandez, Ginecologista e Obstetra, Especialista em gestação  de alto risco da Clínica Por Ellas.

Por isso o pré-natal é fundamental para absolutamente todas as gestantes. “O controle da pressão arterial sistêmica, do peso, do diabetes gestacional, de doenças pré-existentes à gravidez, do possível risco de trombofilia, entre outras evidências de riscos, são verificados e controlados no pré-natal”, completa a Dra. Mariana Rosário, ginecologista, obstetra e mastologista.

Uma das causas mais frequentes de mortes que pode ser identificada durante o pré-natal é a pré-eclâmpsia, causada pela alta da pressão arterial sistêmica. A doença pode, ainda, evoluir para a eclâmpsia, podendo causar não só a morte da mãe, mas, também a do bebê.

E após o parto?

A humanização no atendimento também precisa continuar após o parto. Durante um período de aproximadamente 42 dias após o nascimento outras complicações podem acontecer, como hemorragia por parto (HPP).

A hemorragia é mais comum nas primeiras 24 horas após o bebê nascer. Mas a HPP também pode ocorrer até seis semanas após o puerpério, definida como secundária ou tardia.

O diagnóstico é relativamente simples e feito por meio da identificação de um sangramento excessivo, de acordo com o exame físico da paciente. “Um dos problemas é a demora na identificação da complicação, já que a perda sanguínea tende a ser subestimada após o parto”, destaca Samira Haddad, médica obstetra, com doutorado em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Outra causa das mortes maternas é o aborto provocado. Infecção pós-parto, causada por contaminações da cirurgia, também podem ocorrer e causar a morte. “Existem também, é claro, infecções como toxoplasmose, parvovirose e rubéola, que até causam mortes, mas, muito mais raras”, completa a Dra. Mariana.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – ONU

A Organização das Nações Unidas – ONU lançou, em 2015, 17 objetivos globais, que devem ser implementados por todos os países até 2030. Os objetivos compõem uma nova agenda de desenvolvimento sustentável em diversas áreas. Entre elas a saúde.

Dentro da área da saúde há a proposta de redução de 70% dos casos de morte materna entre 2016 e 2030.

Meta brasileira

A meta estabelecida para o Brasil era que o país chegasse à taxa de 35 mortes a cada 100 mil nascidos vivos em 2015, no entanto, o número foi de 62 por 100 mil nascidos vivos. E em 2016 foram 64 mortes por 100 mil nascidos vivos.

Por isso programas de saúde voltados para a família são muito importantes. Incentivar uma gestante a fazer pré-natal é uma atitude simples, que salva vidas.

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