Homeschooling
Homeschooling é o ensino em casa. Foto: Gpointstudio - Freepik

No homeschooling as famílias podem optar por ensinar os filhos em casa, longe da escola.

A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 19 de maio, o projeto de lei que regulamenta o homeschooling, o chamado ensino domiciliar. Nesta modalidade, as famílias podem optar por ensinar os filhos em casa, longe da escola.

Apesar de ser uma alternativa de ensino quando o estudante tiver problemas de saúde, dificuldades sociais por motivo psiquiátrico e dificuldade de locomoção, o homeschooling deve ser adotado de forma temporária.

É o que explica o psicólogo Filipe Colombini, CEO da Equipe AT, organização especializada em acompanhamento terapêutico e tutoria escolar.

O especialista reforça que a prática não é indicada para longos períodos porque a escola tem diversos papéis na formação do indivíduo que não se limitam ao ensino dos conteúdos. “O ambiente escolar é fundamental para a socialização. A escola vai muito além das provas e avaliações. É neste lugar que, já na primeira infância, a criança vai ter um modelo social, estranho a sua família, onde ela terá de aprender a lidar com seus impulsos e que é fundamental para o seu desenvolvimento”, afirma o especialista.

Ele lembra que é no ambiente escolar que a criança vai estabelecer regras para o convívio social, além de aprender noções como o respeito à hierarquia, limites e, ainda, como a lidar com emoções.

Ao ficar em casa, as crianças não estão aprendendo habilidades sociais básicas e nem tendo contato com diferentes visões de mundo e com os valores democráticos de nossa sociedade.

O ambiente escolar permite às crianças e jovens exercerem escolhas mais significativas sobre suas vidas futuras, não somente do ponto de vista pedagógico, mas também do ponto de vista emocional, na busca de seus valores pessoais.

“Quando a criança é privada de frequentar a escola, a longo prazo isso pode gerar danos irreversíveis, sobretudo quando pensamos no desenvolvimento socioemocional”, completa.

Por isso tudo, o especialista afirma que é muito difícil os pais transformarem a casa em escola. “Além de dispendioso, na prática, lidar com as tarefas de casa já é difícil; imagine, então, ter de reproduzir todo o ambiente escolar, com todos seus nuances, na residência de cada família”, pondera.

Cobrança excessiva

Colombini alerta, ainda, que o homeschooling pode servir de esquiva para as muitas demandas e pressões existentes hoje no ambiente escolar.

O excesso de desempenho cobrado pelas escolas é uma grande responsabilidade das instituições, pois elas podem ser causadoras de grande estresse e problemas de saúde mental dos seus alunos.

“Há uma grande imposição pelas boas notas, com isso, é comum encontrar estudantes que sofrem de exaustão emocional, havendo, até mesmo, um aumento nos casos de suicídio na infância e adolescência. Com isso, alguns pais enxergam o homeschooling como uma forma de poupar as crianças e jovens desta cobrança, como uma fuga a esta realidade”, diz o especialista.

As situações difíceis de lidar são grandes oportunidades para o suporte e atenção redobrada da escola e mediação dos pais e, também, possibilidade de desenvolvimento para os alunos.

Fases críticas precisam ser vivenciadas e são importantes para o desenvolvimento social, afetivo e emocional. O especialista lembra que o ser humano aprende durante as crises e quando elas acontecem no período escolar este é um modelo para a fase adulta, com seus ônus e bônus.

“Sabemos que as crianças estão sofrendo muito na volta às aulas após o isolamento, que produziu efeitos psicológicos graves, a curto, médio e longo prazo”, diz Colombini.  

Nesta ressocialização, o especialista lembra que, quando houver necessidade, a saída é as famílias buscarem suporte psicológico e médico. “Evitar a escola, em caso de dificuldade, será a pior escolha”, avalia.

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