Efeitos da pandemia: insônia e pesadelos aumentam em todo mundo

Sono
Noites mal dormidas trazem problemas físicos e mentais. Foto Andrea Piacquadio

No Brasil, desde o início da pandemia, em março de 2020, a palavra “insônia” foi a mais procurada no Google.

Mais de um ano de isolamento social e a ansiedade para a chegada da vacina contra a Covid-19 causaram vários impactos na população, seja para quem consegue ficar isolado em casa, seja para quem precisa sair para trabalhar. Tanta preocupação e estresse têm contribuído para o aumento preocupante de queixas de insônia, pesadelos e de casos de bruxismo.

Uma pesquisa da Universidade de Southampton, de agosto de 2020, mostrou que o número de britânicos que relataram recorrência de insônia saltou de 17% para 25%. Na China, as taxas subiram quase 6 pontos percentuais, de 14,6% para 20% e, na Grécia, cerca de 40% das pessoas entrevistadas durante a pandemia relataram ter vivido o problema.

O Brasil não passou ileso, é claro. Por aqui, desde o início da pandemia, em março de 2020, a palavra “insônia” foi a mais procurada no Google e, ainda mais chocante, a pesquisa por “remédio para insônia” aumentou 130% nas buscas.

Isso em um país onde 40 milhões já relatavam o problema antes da Covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O especialista no assunto, o psiquiatra Marco Abud, afirma que não é muito difícil encontrar as razões para esse crescimento.

“A mudança de rotina causou estresse, essa confusão de espaço pessoal com profissional, aumento nas tarefas domésticas, cuidados com os filhos, o isolamento social, que nos colocou longe de familiares e amigos e, claro, o medo da doença ou de algum familiar contraí-la, e até mesmo as inseguranças com a economia do país. Tudo isso virou um caldeirão de emoções e o sono é um dos que mais sofrem com esses momentos, pois é o período que precisamos relaxar, mas também aquele em que tudo vem à tona: o dia a dia, as angústias, a sensação de que é preciso encontrar soluções imediatas para os problemas da nação a todo custo”, explica o profissional.

E as mulheres foram as mais prejudicadas. O motivo? Acabaram tendo aumento de demandas, principalmente as mães com filhos em idade escolar.

Pensa só: trabalhar em home office, cuidar da casa (afinal se ela não fizer, ninguém faz), ajudar os filhos nas aulas online, aff… Não tem jeito, muito estresse, ansiedade e perda de sono.

“A ingestão de bebida alcoólica também foi um fator que prejudicou a qualidade do sono”, comenta a médica neurologista Dra. Andrea Bacelar, presidente da Associação Brasileira do Sono (ABROS).

Dicas para controlar a ansiedade e dormir melhor

Primeiramente, o ambiente deve ser propício para iniciar o sono. O quarto deve ser escuro, arejado e silencioso. “Além do mais, televisores, celulares, tablets e computadores devem ser desligados pelo menos uma hora antes de se deitar por serem extremamente estimulantes ao Sistema Nervoso Central”, explica o médico otorrinolaringologista Dr. Danilo Sguillar, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS).

Confira algumas dicas que o Maternidade Moderna reuniu para te ajudar a conseguir uma boa noite de sono:

  • Evite eletrônicos, como celular e tablets, enquanto estiver na cama e antes de dormir, pois são estimulantes;
  • Deite-se apenas quando estiver com sono;
  • Evite café, chá preto, refrigerantes ou medicamentos que contenham cafeína pelo menos quatro horas antes de se deitar;
  • Não consuma bebidas alcoólicas no mínimo 6 horas antes de dormir;
  • Não faça refeições pesadas antes de dormir, como feijoada ou churrasco;
  • Cuidado com as sonecas durante o dia;
  • Faça exercícios físicos no máximo de 4 a 6 horas antes de dormir e de preferência ao ar livre;
  • Procure expor-se à luz solar todos os dias, pela manhã ou no final da tarde;
  • Experimente técnicas como Yoga, Meditação ou Mindfulness, que são extremamente benéficas para relaxamento e embalo do sono;
  • Ouça música calma ou mesmo sons da natureza como queda d’água, barulho de chuva, fogueira queimando podem ser relaxantes e desestressantes;

Tente descobrir a causa das noites mal dormidas e se for necessário busque ajuda médica. O sono é muito importante para o equilíbrio físico e emocional e a falta dele afeta a química do cérebro, levando a problemas em nossos relacionamentos e nossa produtividade também.

“Uma noite mal dormida é, provavelmente, a principal responsável pela falta de concentração e atenção que uma pessoa pode ter. Ao longo do tempo, isso vai nos afetando de uma forma que pode levar a doenças como obesidade, diabetes e hipertensão, e comprometer ainda mais nossa saúde mental, levando inclusive à depressão”, finaliza Abud.





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