Educação financeira agora será obrigatória nas escolas

Finanças
Foto ilustrativa

Entenda como a educação financeira impactará na vida dos estudantes.

A partir de 2020 as escolas brasileiras obrigatoriamente ter uma disciplina para ensino de educação financeira e a educação para o consumo.

A decisão é uma das diretrizes da Base Nacional Comum Curricular – BNCC, do Ministério da Educação, em 2019, é uma medida pensada para que os alunos do ensino básico e médio se familiarizem com o tratamento correto do dinheiro antes mesmo de começar a trabalhar efetivamente.

A medida visa reduzir o número de endividados no Brasil, que hoje é muito grande. De acordo com o site do Serasa Experian, em março do ano passado 63 milhões de brasileiros tinham alguma dívida. Ou seja, mais de 40% da população está com dívidas atrasadas ou com o nome sujo.

Mas a culpa não é do desemprego

Que o Brasil passa por uma crise há alguns anos não é novidade para ninguém. Os altos níveis de desemprego e instabilidade que o país atravessa tem um fator determinante na dívida dos brasileiros.

Mas este quadro poderia ser melhor se a educação financeira fizesse parte do currículo escolar há anos.

Não saber lidar bem com o dinheiro faz com que a população tome decisões pouco saudáveis, como adquirir muitos cartões de crédito, utilizar o cheque especial em demasiado e principalmente não poupar.

Essa junção de escolhas e o pouco conhecimento das demandas financeiras, faz com que muitos brasileiros decretem uma situação de “falência”: o superendividamento. De acordo com pesquisa realizada pelo SPC Brasil, o país tem mais de 30 milhões de pessoas superendividadas, que é quando o indivíduo não consegue pagar suas dívidas sem comprometer suas despesas essenciais.

É aí que entra a educação financeira

Justamente por isso o Ministério da Educação deu uma prioridade para cumprir a lei aprovada em 2017, incluído a disciplina de Educação Financeira na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para que todas as escolas do Brasil. Mas, para dar certo é preciso um treinamento com os professores.

E já tem escola colocando em prática, como o Colégio Franciscano Pio XII, em São Paulo. A educação financeira está sendo trabalhada com alunos de Ensino Fundamental II, Ensino Médio e High School.

Com os alunos do 6º ao 8º ano, o trabalho tem o objetivo de ensiná-los a poupar, gerenciar gastos, serem socialmente responsáveis e a cuidar não só do dinheiro, mas de tudo o que possuem.

A base para as aulas foi o projeto “Educação Financeira na Escola”, do professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Gilberto Lacerda, que traz uma metodologia simples e didática para que crianças aprendam a importância de ganhar, gastar, de investir o dinheiro com responsabilidade, bem como formas de utilizá-lo de forma consciente e sustentável. “O foco do projeto é diferenciado, pois ensinamos a habilidade emocional de administrar a vida financeira, além de mostrar a preocupação com a sustentabilidade e controlar o consumismo”, explica a professora Patrícia Heidrich Prado, responsável pelo projeto do Ensino Fundamental II.

Já os estudantes da 1ª à 3ª série do Ensino Médio aprendem a ler gráficos de dados apresentados no noticiário e a calcular porcentagem e fórmulas de lucro e custo, resgatando a matemática teórica para o dia a dia.

O professor Willian Bala trabalha a educação financeira com a finalidade de preparar para a vida e para os exames externos, como é o caso dos vestibulares. Segundo ele, as aulas resgatam a matemática teórica com uma releitura dos números para o dia a dia. “Mostramos que a matemática faz parte da rotina deles, pois ela não é uma disciplina abstrata. Por meio de desenhos, exemplos e gráficos, usamos conteúdos de cálculo de desconto e porcentagem, fração, fórmulas de lucro e custo”, completa.

Na disciplina Economics do High School, alunos estimam os valores do custo de vida e as despesas familiares e custo de vida, como gastos com IPTU, IPVA, seguro saúde, supermercado, água e luz nas aulas de Economics. Eles levam essas questões para a casa e, posteriormente, em aula, estimam os valores dos gastos mensais de suas famílias. “Os alunos estudam e refletem a respeito dos custos de vida, o que é essencial para que possamos ajudá-los a tornarem-se adultos conscientes e responsáveis”, completa a coordenadora de inglês, Heloisa Parciasepe.

Para saber mais

Em 2010 foi instituída a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), com o objetivo de promover ações de educação financeira no Brasil. Na página Vida e Dinheiro, da entidade, estão disponíveis livros didáticos que podem ser baixados gratuitamente e outros materiais informativos para jovens e para adultos.

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