Educação bilíngue ou escola de idiomas? Entenda as diferenças

Bilíngue
Foto ilustrativa.

Entenda a diferença de educação bilíngue e escolas de idiomas.

Houve um tempo, lá entre os anos 80 e 90, que “ter” inglês era diferencial no mercado de trabalho. E não estamos falando aqui de fluência, e sim no nível intermediário. E ninguém nunca tinha falado em ensino bilíngue.

Com o passar dos anos e a presença cada vez mais constante do inglês em nossas vidas, e saber falar inglês passou a ser básico. E o espanhol também entrou na parada.

Por isso os pais buscam cada vez mais cedo o ensino bilíngue. Isso é comprovado pelos dados da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi), que mostrou o crescimento do de 6 a 10% no número de escolas bilíngues nos últimos cinco anos.

“Optei pelo ensino bilíngue porque hoje, mais do que nunca, com o mundo globalizado, é importante tem a fluência no idioma inglês e, neste caso, nada melhor do que estudar em uma escola bilíngue, onde o idioma é vivido no dia a dia e não apenas em uma escola de inglês. No início havia uma certa resistência dela em ir à escola, principalmente por não entender o que se falava, mas hoje em dia a curiosidade fala mais”, conta Flávia Cristina Fonseca de Albuquerque, mãe da Maria Eduarda Fonseca de Albuquerque, aluna do Colégio Brasil Canadá, que trabalha com seus alunos experiências em português e inglês.

“Estudos apontam que crianças expostas a dois idiomas desde cedo apresentam maior facilidade para aprender outros idiomas posteriormente, ou seja, o bilinguismo auxilia não só em questões de linguagem, mas também melhora as habilidades cognitivas”, explica Bruna Elias, diretora pedagógica do Colégio Brasil Canadá.

E aprender um segundo idioma cedo faz toda a diferença num cenário em que só 5% dos brasileiros sabem o básico de inglês e menos de 1% são fluentes na língua, segundo dados do Conselho Britânico. 

Mas o que diferencia um ensino bilíngue, escola de idiomas e escola internacional?

A principal diferença está no currículo, na cultura e na quantidade do idioma presente no cotidiano da escola.

O curso de línguas, por exemplo, tem como objetivo o ensino de uma língua adicional, como por exemplo, o inglês, o espanhol ou o alemão no Brasil.

Já na escola internacional existe o compromisso de seguir o currículo e o calendário referente ao órgão que a escola opta seguir: canadense, europeu, americano, etc. Toda a comunicação e material é na língua de origem da escola, com exceção obviamente do ensino de outras línguas.

Há uma grande procura por essas escolas por parte de famílias que vivem na possibilidade da necessidade de mudar para outro país, para que o estudante não sofra um choque nessa transferência.

Já a escola bilíngue tem por objetivo construir conhecimentos em áreas diversas por meio de duas línguas. “Embora devam também proporcionar um ambiente multicultural e internacional, não estão sob essa exigência em relação ao calendário e ao currículo”, explica Dalila Honorato Parente, coordenadora pedagógica da Escola Lumiar

A escola bilíngue deve seguir a BNCC e o calendário brasileiro, e pode ou não agregar elementos de outro currículo internacional. O segundo idioma é inserido na comunicação diária e em algumas matérias. Não há uma legislação ou parâmetro para a quantidade de inglês apresentada nas escolas bilíngues no Brasil, portanto, isso varia muito entre as escolas. 

Isso quer dizer que em dado momento e período, simultânea ou consecutivamente, a instrução é planejada e ministrada em pelo menos duas línguas. Uma escola bilíngue português-inglês, por exemplo, ao invés de somente aulas de inglês, nas quais a finalidade é o aprendizado do inglês, são ministradas também aulas em inglês, que possuem uma finalidade dupla: o ensino da língua e o ensino do conteúdo. 

Nessas escolas, os alunos podem ter aulas de ciências, por exemplo, também em inglês. “Crianças bilíngues possuem maior capacidade de pensar sobre a língua, uma vez que ao serem expostas às duas línguas adquirem precocemente consciência de que as palavras são apenas arbitrárias e simbolicamente relacionadas aos seus conceitos”, explica Antonieta Megale, coordenadora do curso de pós graduação “Educação Bilíngue: desafios e possibilidades” e da extensão do Instituto Singularidades, em São Paulo

Um exemplo é o Colégio Franciscano Pio XII, de São Paulo. O programa bilíngue faz parte do curso regular da Educação Infantil ao 3º ano, e se estenderá a todo o Fundamental I.

Em parceria com a University of Missouri, a partir do 6º ano é oferecido o curso Middle School, e a partir do 9º ano, o curso High School, proposta de certificação americana. Os Exames Cambridge English fazem parte da rotina de séries do Fundamental e do Ensino Médio, como parte do currículo.

Com aulas em inglês integradas à matriz curricular, os alunos da Educação Infantil e 1º ano têm aulas diárias do segundo idioma com atividades lúdicas e dinâmicas por meio da integração entre linguagem e conteúdo dentro dos Pilares de Educação da UNESCO, com as propostas de aprender a ser, a conhecer, a fazer, e a conviver.

Para Heloisa Helena Parciasepe, coordenadora de inglês do Colégio Pio XII, a educação bilíngue da instituição tem o objetivo de ensinar o domínio do idioma para que o estudante transite na língua inglesa de forma natural, além de desenvolver competências do século XXI. “Um cidadão bilíngue quebra barreiras, conhece outras culturas, expande horizontes, vê as diferenças com mais naturalidade”, finaliza coordenadora.

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