Doenças que já tinham sido erradicadas estão de volta

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Foto: Freepik

E a culpa pela volta das doenças pode ser nossa.

Doenças que já tinham sido erradicadas voltaram com tudo para Brasil. Não acredita? Basta ver o surto de sarampo em vários estados.

Foram confirmados em todo o país. Em Santos o surto veio de um navio que atracou no porto da cidade. Outros casos foram confirmados no Pará, em todo o estado de São Paulo. Na região norte surgiram casos no Amazonas. No Sul foram registrados em Santa Catarina e vários outros em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Roraima.

Já foram registrados casos em mais de 120 cidades brasileiras.

Mas esta não é a única doença que voltou a dar as caras por aqui. Ainda temos a poliomielite, rubéola e difteria. Isso fora a meningite, que é uma das doenças mais letais do mundo, princialmente em crianças pequenas. A evolução é tão rápida que em menos de 48 horas o doente pode morrer.

O que não dá para entender é porque os surtos estão acontecendo. Afinal todas as vacinas para prevenção estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Então porque estas doenças estão de volta?

De acordo com especialistas, a resposta pode estar na baixa cobertura vacinal que aconteceu nos últimos anos. Isso porque desde 2016 o Ministério da Saúde registrou a redução das vacinações, ou seja, nossas crianças deixaram de receber uma proteção importantíssima.

E o próprio Ministério da Saúde, por meio de comunicado, destacou que essa realidade acendeu o que chamou de “luz vermelha”.

Recentemente, o Brasil perdeu o certificado de erradicação do Sarampo. Este certificado tinha sido concedido ao Brasil pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS), em 2016. 

O critério estabelecido para a retirada do certificado de erradicação é a incidência de casos confirmados do mesmo vírus durante 12 meses. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o primeiro caso de pessoa infectada com sarampo dentro do território brasileiro ocorreu em 19 de fevereiro de 2018.

“As vacinas trouxeram e continuam trazendo enormes benefícios na prevenção de doenças e epidemias de agravos à uma sociedade. Onde foi parar a difteria? A rubéola congênita? E o tétano neonatal? Não precisamos nos alongar muito para deixar claro que as vacinas são o maior presente que a medicina ofereceu à humanidade”, afirma Milton Monteiro Júnior, Enfermeiro infectologista do HSANP.

Mas o que está causando a baixa cobertura vacinal?

Um dos motivos para a baixa cobertura vacinal pode ser a falta de informação, ou o excesso de informação. No primeiro caso, principalmente em famílias mais humildes, não existe nenhum acompanhamento médico, seja na gestação, seja após o parto.

O pré-natal, como principal forma de prevenção, já se mostrou essencial para a saúde de mãe e filhos, evitando inclusive a mortandade materna. Saiba mais sobre o assunto neste link.

Muitas pessoas ainda têm medo das reações adversas das vacinas. As imunizações são potencialmente acompanhadas de efeitos colaterais indesejáveis, porém nada comparadas às reações ocasionadas pelas patologias.

E o movimento antivacina

Outra coisa que pode estar diminuindo a cobertura vacinal é o movimento antivacina. A origem deste movimento não é certa, mas em 1982, o documentário DPT: Vaccine Roulette afirmou que a vacina tríplice bacteriana, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, causava danos cerebrais. Foi o que bastou para os novos adeptos desistissem da vacina

Mas foi um estudo, publicado na prestigiada revista científica The Lancet, escrito pelo médico britânico Andrew Wakefield, em 1998 que “reafirmou” as teorias para não vacinar. O trabalho afirmava que oito crianças, de um grupo de 12, apresentaram os primeiros sintomas de autismo duas semanas após tomarem a tríplice viral, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola.

Anos mais tarde foi descoberto que algumas crianças voluntárias do estudo foram indicadas por um escritório de advocacia. Estes advogados queriam entrar com ações contra a indústria farmacêutica.

A revista The Lancet então retirou o artigo do seu site em 2010. O médico teve sua licença caçada pelo Conselho Britânico de Medicina no mesmo ano.

Mas o movimento já tinha ganhado corpo.

E as consequências foram desastrosas: nos Estados Unidos 189 pessoas tiveram sarampo no ano de 2013. A doença tinha sido erradicada há quase 15 anos, segundo informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Várias ações têm sido tomadas pelos norte americanos, como proibir a matrícula de crianças não vacinadas em escolas. Os pediatras também foram autorizados a não atender crianças que não estavam com a carteira de vacinação em dia.

E o ceticismo na eficácia da vacinação cresce a cada dia e chegou ao Brasil. Famílias escolhem não vacinar seus filhos. Além de fazer questão de não esconder a opção, usam como fonte de informações as redes sociais. O que sabemos que não é 100% confiável.

Quando não vacinar

Monteiro Júnior explica que em determinados momentos, as vacinas não são indicadas.  Um exemplo é para febre amarela. “Diferentes grupos, como gestantes, idosos, pessoas em quimioterapia e em determinados tratamentos de saúde não podem receber a vacina. Os riscos de reações são graves”, esclarece o profissional. 

Vacina da gripe

Outra vacina “polêmica”, é contra a influenza. Muitas pessoas dizem ter gripes fortíssimas após se vacinar. Isso na realidade não acontece.

A vacina da gripe é produzida através de vírus inativado (morto e fracionado), portanto não possui a capacidade de gerar sintomas da doença. A proteção imunológica, no entanto, começa após cerca de 2 semanas da vacinação. “Durante esse período, uma pessoa pode ser infectada por algum vírus respiratório (gripe ou resfriado) levando a falsa impressão que a doença foi causada pela vacina”, explica Dra. Milena Costa, médica otorrinolaringologista.

“Se você se vacina, você não fica gripado, o vírus da vacina é inativado e fracionado, ele não pode causar gripe, o que muitas vezes acontece é uma coincidência de se tomar a vacina e já estar incubando algum vírus”, completa o Dr. Marcos Antônio Cyrillo, infectologista e diretor clínico do Hospital IGESP

As únicas reações que podem acontecer por causa da vacina contra a influenza são dores no local da aplicação, febre baixa e mal estar nas primeiras 48 horas.

Calendário de vacinação

Vacinar ainda é uma das formas mais efetivas e de menor custo para reduzir a mortalidade infantil, conforme a Organização Mundial da Saúde. Sem falar que preserva a saúde de toda uma população.

Por tanto seguir o calendário também garante a prevenção de doenças nos recém-nascidos e consequentemente nos adultos. Ou seja, a vacinação é primordial para todas as idades.

Por isso o Ministério da Saúde tem um calendário de vacinação que abrange desde recém-nascidos, a adultos e idosos. Também há uma agenda especial para a população indígena.

Veja neste link o cronograma completo de vacinação e veja se você precisa se imunizar.

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