A dermatite atópica é uma doença crônica e não tem cura, mas tem tratamento.

Você já ouviu falar de dermatite atópica? É uma condição genética que afeta as últimas camadas da pele. A doença é mais frequente em bebês e crianças.

De acordo com a Dra. Ana Mósca, pediatra, dermatologista e consultora da Mustela, estima-se que uma em cada cinco crianças sejam afetadas pela condição no Brasil. Em 95% dos casos, a condição surge antes dos dois anos e, nesta faixa etária, é considerada mais grave.

Entenda a doença

A doença é mais comum nas crianças. Isso porque é na infância que acontece o desenvolvimento do sistema imunológico delas. Até os seis meses a maior parte da resistência imunológica da criança ainda vem da mãe.

A doença causa uma maior perda de água pela epiderme, prejudicando a hidratação natural e aumentando a vulnerabilidade da pele. “Os primeiros sintomas são pele muito ressecada, coceira com formação de lesões avermelhadas e descamativas. Quando as lesões inflamam por causa da coceira podem virar feridas”, explica a dermatologista do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu, Dra. Isabella de Freitas Hostalacio Zorzetto.

As lesões podem ser localizadas nas áreas do corpo mais ressecadas, como braços, pernas, abdome e pescoço.

Cristiane Luciana Lemes, de 34 anos, descobriu que o pequeno Eduardo tinha a doença na primeira semana de vida. “Os primeiros sintomas foram “pipocas” pelo corpo, que pareciam com brotoeja, mas sumiam e apareciam pior a cada semana”, conta a mãe.

A localização na pele varia conforme a idade do paciente. Nas crianças de 3 meses a 2 anos é mais comum aparecer no rosto, região extensora dos braços e pernas, couro cabeludo e pescoço. Já nas crianças acima dessa idade as lesões aparecem na parte flexora (dobras) dos membros e pescoço. Infecções bacterianas costumam ser mais comuns devido à falta de proteção da pele.

“Apesar de possuir graus diferentes, que variam entre leve, moderado ou grave, a base de todo o tratamento da dermatite atópica é a hidratação. Essa é a única forma de conter a perda de água pela pele. Medicamentos específicos podem ser indicados dependendo do grau em que ela se manifesta”, explica a Dra. Ana.

Outros fatores agravantes para a Dermatite Atópica são o banho quente e muito demorado e o uso de escovas ou buchas. “Isso resseca ainda mais a pele. Uso de roupas sintéticas que tapem a pele e façam reter o suor também piora o quadro”, pontua o Dr. Samuel Mandelbaum, médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)

Diagnóstico da Dermatite Atópica

O diagnóstico é clínico, por meio de exame físico, anamnese (entrevista) feita pelo médico.

São avaliados os sintomas e a queixa, mas também o histórico de doenças associadas e a história familiar. Exames laboratoriais podem ser pedidos para avaliar tratamentos ou associação com outras alergias.

Fator hereditário

A dermatite atópica é uma doença de fator hereditário, com variações e formas de alergias e manifestações cutâneas do eczema. A incidência varia de acordo com a característica familiar e traço genético.

Estima-se que se apenas um dos pais tem dermatite atópica a criança terá entre 40% a 50% de chances de ter a doença. Esse número sobe para 50% a 80% se ambos os pais têm a doença.

Rotina de cuidados

Além do tratamento tópico, ou seja, com hidratantes e medicamentos, os pacientes precisam ter uma rotina rígida. Cristiane conta que troca diariamente o forro e os lençóis da cama do filho. As roupas de Eduardo precisam ser lavadas separadas, com sabão neutro ou de coco.

O pequeno não pode ter contato com nenhum animal, bichos de pelúcia, tapetes ou cobertores peludos.

A alimentação também deve ser regrada e balanceada, pois, muitos pacientes também desenvolver alergias alimentares.

Tratamento

É uma doença crônica, ou seja, não tem cura. Os pacientes passam por períodos de remissão e controle.

A hidratação da pele é a base do tratamento. As lesões são tratadas com o uso de cremes e pomadas à base de corticosteroides ou outras substâncias que ajudam no combate à inflamação. Em caso de infecção secundária, devem ser usados antibióticos. Medicações antialérgicas ajudam a diminuir e controlar a coceira.

Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de medicações mais potentes, via oral, para o controle da doença. O tratamento depende de cada caso e deve ser conduzido por um médico dermatologista.

Com a idade e a maturidade da pele, os pacientes que evitam os fatores irritantes e mantêm a pele hidratada costumam ter uma melhora clínica. “A evolução da doença é favorável na maioria dos casos, sendo que aproximadamente 60% das crianças, apresentam diminuição ou desaparecimento completo das lesões na adolescência”, ressalta a dermatologista Dra. Anelise Ghideti.

Preconceito

O impacto social é muito grande. Muitas vezes as crianças são incapacitadas para brincar, devido às suas condições. Ou pior: são impedidas de brincar por medo que a sua doença se transmita. Os pais devem ajudá-los a entender o que é a doença e que ela não é contagiosa.

Apesar de ter apenas dois anos, Eduardo já sofreu preconceito. “Já aconteceu de outras mães não deixarem os filhos perto dele para brincar porque estava cheio de feridas. Chorei igual criança na primeira vez que fizeram isso com meu filho. Falei para algumas mães que o que ele tem não é contagioso, mas mesmo assim via e sentia no olhar delas de nojo. Elas davam desculpas para tirar as crianças de perto do meu filho”, desabafa Cristiane

Adolescentes estão no ciclo de vida em que a aparência é muito importante, por esse motivo se sentem muito mal por causa da doença. Situações de estresse também podem desencadear crises. “E, às vezes, alguns pais não compreendem a tristeza que, principalmente esses adolescentes, sentem com relação a dermatite atópica. E isso os torna mais vulneráveis a depressão”, afirma a psicóloga Flávia Maria Scigliano, especializada em Ludoterapia (psicoterapia para crianças) e Terapia Familiar e de Casal.

A busca de um psicólogo é de grande ajuda quando os pais notarem comportamentos de isolamento e mudança de rotina dos seus filhos. Para os pais o acompanhamento psicológico é muito importante também para aprenderem a lidar com seus filhos.

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