Depressão perinatal: precisamos falar sobre isso

Depressão
Mulheres podem ser afetadas pela depressão durante a gestação e após o parto. Imagem: Freepick.

A depressão pode afetar a mulher durante a gestação e depois do nascimento do bebê.

A depressão afeta quase 12 milhões de pessoas no Brasil, ou 5,8% da população, de acordo com a Organização Mundial da Saúde – OMS. Essa condição, que não tem causa única, atinge as pessoas independentemente da idade, classe social, profissão, raça/etnia ou do gênero.

Dentro deste universo de patologias psicológicas, é preciso ter atenção redobrada, principalmente neste momento de pandemia, para a depressão perinatal, que compreende a fase desde o início da gestação o parto até o primeiro ano de vida do bebê.

A patologia é geralmente associada a transformação da mulher em mãe. Os hormônios e as alterações no corpo e nos hábitos da mulher também podem contribuir para o quadro.

Algumas mulheres têm predisposição à depressão, outras estão em uma conjuntura de falta de apoio familiar, rede de apoio ou médico, de desentendimentos com o companheiro ou de solidão que podem potencializar a patologia psicológica.

Fatores como histórico psiquiátrico, problemas afetivos e estresse podem também ser gatilhos para a depressão.

O uso de substâncias, de drogas, o álcool, presença de alguma complicação na gravidez, por exemplo, podem ser gatilhos para a depressão perinatal.

Quando a gravidez não foi planejada ou desejada sobe em quatro vezes mais de depressão. Sem falar de fatores externos como desemprego da mulher ou do companheiro.

De acordo com estudos epidemiológicos, a depressão perinatal surge em 10% a 25% das mulheres que já apresentam sintomatologia depressiva.

“Nós sabemos que o período perinatal traz intensas transformações biopsicossociais. vivenciadas pelas mulheres de forma universal, como um período de crise adaptativa, fisiológica. Nesta fase a mulher está mais vulnerável e susceptível ao adoecimento psíquico ou a descompensação de doenças psiquiátricas pré-existentes, chegando a um risco de adoecimento psíquico até 70 vezes maior que em qualquer outra fase da vida da mulher”, explica Dra. Layla Campagnaro, psiquiatra perinatal do Centro de Medicina Integrativa do Hospital e Maternidade Pro Matre.

A depressão perinatal tem impactos mais profundos, conforme constatou o Trocando Fraldas em um estudo. Cerca de 20% das brasileiras acreditam que a doença afetou o relacionamento com o seu/sua filho(a). Principalmente entre as mulheres dos 18 aos 29 anos.

Durante a gestação a depressão pode resultar em desinteresse pela gravidez e trazer consequências para o bebê.

Um estudo feito pelo Instituto de Psiquiatria e Neurociência do King’s College London, no Reino Unido, e publicado na revista científica Psychoneuroendocrinology, mostrou que os bebês de mães que tiveram depressão na gestação são mais sensíveis.

Ainda ainda de acordo com os estudo estes bebês se mostraram mais hiperativos, chorosos e produziram cortisol em circunstâncias que as demais crianças encaram com normalidade.

Diagnóstico e tratamento

Um profissional qualificado, ou seja, um psiquiatra, deve ser procurado para fazer um diagnóstico

Mas a família pode ajudar a mulher ao prestar atenção a alguns possíveis sintomas. Ter uma escuta atenta é muito importante.

Ficar atento aos pensamentos e expressões emocionais da gestante ou da puérpera é essencial. Perceber se a mulher está sempre pensando no pior, antecipando coisas ruins que nem podem acontecer ou situações muito catastróficas devem acender o alerta vermelho.

Pensamentos de morte e suicidas também devem aceder o alerta vermelho. Se algum desses sintomas foram percebidos, procure ajuda profissional.

Com o diagnóstico confirmado é traçada uma linha de pensamento. Se for depressão perinatal leve é possível fazer o tratamento por meio de terapias.

Se o caso for moderado a mais grave, pode ser indicado tratamento farmacológico. Existe uma gama de medicamentos que podem ser utilizados tanto na gestação quanto na amamentação com muita confiabilidade.

Mas todo este tratamento, claro, deve ser personalizado para cada caso. Por isso a ajuda profissional é essencial.

Como a família pode ajudar

A gestação é um período de intensa vulnerabilidade para essa mulher, de intensas transformações e muitas vezes a gestante não conta suas apreensões para ninguém.

Ela pode preferir ficar sozinha, não ter ninguém por perto. Neste momento o apoio da família é fundamental.

“A família pode dar um suporte, acolhimento e dar forças para a mulher nesse momento tão delicado. Evitar julgamentos e críticas que não vão ajudar em nada”, ressalta a psicóloga e neuropsicóloga Patrícia Souza.

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