Coronavírus: entenda quais são os riscos para as gestantes

Coronavírus
Foto: Mvorocha por Pixabay

Especialistas explicam os cuidados que devem ser seguidos pelas gestantes.

Com a pandemia mundial de coronavírus e muitas informações divulgadas a cada minuto, fica difícil saber o que é verdade e o que é fake news. Mas e para as gestantes, quais são os riscos?

A infecção COVID-19 é ainda pouco conhecida, tratando-se de um vírus novo, não se tem protocolos e nem manuais. Em decorrência disto, várias orientações tem base nas infecções causadas por outros vírus (SARS-CoV, MERS-CoV e H1N1).

Diferentemente de 2009, na pandemia de H1N1, na qual as gestantes representavam um grupo de risco, com maiores taxas de mortalidade, o que se pode observar atualmente, baseado na análise dos grupos com maior mortalidade, é que gestantes e puérperas não são consideradas, até o momento, parte do grupo de risco.

Embora existam relatos de gestantes contaminadas pelo mundo, não foi comprovado se houve transmissão para o bebê, portanto ainda estão sendo feitos investigações em relação ao Covid-19 em recém-nascidos.

Mesmo assim, de acordo com a obstetra Mariana Rosario, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein e pesquisadora da Faculdade de Medicina do ABC, as gestantes precisam ter cuidados redobrados, pois são, naturalmente imunodeprimidas, pela própria condição da gravidez.

“Trata-se de um período em que o organismo fica propenso a adquirir doenças virais e bacteriológicas com mais facilidade e também não consegue combatê-las adequadamente. Como as gestantes não podem ser tratadas com medicamentos comuns, porque a maioria deles não foi testada nesta população, é difícil tratar algumas doenças sem causar mal ao bebê. Então, o melhor conselho é evitar a contaminação”, alerta a médica.

Até o momento, os casos de gestantes acometidas não foram graves e a evolução foi boa. Todas as pacientes referiam história clara de exposição a pessoas com a infecção. A idade gestacional variou de 36 a 38 semanas.

Também não vale se automedicar, nem com suplementos vitamínicos. “A gestante só pode consumir suplementos e medicamentos sob restrita orientação médica, porque podem ter problemas graves”, aconselha a Dra. Mariana. E, em casos de suspeita de qualquer doença ou contaminação, é imprescindível procurar um serviço de saúde, imediatamente.

Quais são os riscos para os bebês?

Não existem evidências de que o vírus causaria alguma malformação nos bebês durante a gestação. Também não foi detectado nenhum caso de transmissão vertical do vírus, ou seja, nenhum estudo demonstrou a passagem do vírus pela placenta e nem infecção dos bebês, até o momento.

“Os exames não comprovaram a presença dos vírus em NENHUM BEBÊ nascido de mães infectadas com Covid-19. A grande maioria dos partos realizados foram cesarianas e a amamentação não foi permitida e nem realizada para evitar contagio direto do recém-nascido”, explica a Dra. Alessandra Fernandez, da Clinica Por Ellas.

Amamentação

Os mesmos estudos que indicam as gestantes como fora do grupo de risco por enquanto, atestam que a amamentação pode ocorrer normalmente, justamente pois não há evidências de que o Covid-19 seja transmitido pelo leite.

As lactantes se comportam como as gestantes no que diz respeito a grupo de risco. Os bebês, principalmente recém-nascidos, têm o sistema imunológico menos maduro, devendo-se manter também as recomendações do Ministério da Saúde.

“Importante ressaltar que além do leite, esse vírus não foi encontrado em sêmen e nem óvulos, por isso não existe qualquer problema de fertilidade relacionado ao Covid-19”, explica o Dr. Nilo Frantz, da Clínica de Fertilização Nilo Frantz.

Dicas preciosas de proteção

É muito importante que as gestantes sigam as mesmas recomendações do Ministério da Saúde.

Em relação às mulheres que acabaram de ter bebê, é necessário restringir visitas na maternidade e em casa, para evitar qualquer possibilidade de transmissão do Covid-19.

  • evitar aglomerações;
  • evitar contato com pessoas febris e contato com pessoas apresentando manifestações de infecção respiratória;
  • evitar visitar idosos;
  • higienização das mãos, com água e sabão, e só depois álcool em gel;
  • evitar contato das mãos com boca, nariz ou olhos;
  • fazer isolamento social (sair de casa somente se muito necessário);
  • procurar serviço de saúde somente se necessário.

“Gostaria de salientar a importância de todos seguirem as orientações com rigor, principalmente de isolamento social, pois isto será muito importante para achatar curva de transmissibilidade e não sobrecarregar o sistema de saúde. Assim, poderemos passar por esse período dando tratamento adequado para todos”, explica a Dra. Fernanda Freire, ginecologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Saiba mais

O Ministério da Saúde divulga atualizações sobre casos suspeitos que estão sendo investigados no país.

Disponibilizou, inclusive, um site com informações sobre Boletins Epidemiológicos, listagem dos hospitais referenciados, Plano de Contingência por Estado e publicações para profissionais de saúde com os protocolos de manejo clínico, procedimento operacional padronizado e fluxo de atendimento na APS para o COVID-19.

 O site do Ministério da Saúde pode ser acessado neste link.

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